Toda a forma de arte é a expressão da nossa alma e toda expressão da nossa alma é o caminho da nossa existência...
terça-feira, 7 de janeiro de 2014
É fácil trocar as palavras,
Difícil é interpretar os silêncios!
É fácil caminhar lado a lado,
Difícil é saber como se encontrar!
É fácil beijar o rosto,
Difícil é chegar ao coração!
É fácil apertar as mãos,
Difícil é reter o calor!
É fácil sentir o amor,
Difícil é conter sua torrente!
Como é por dentro outra pessoa?
Quem é que o saberá sonhar?
A alma de outrem é outro universo
Com que não há comunicação possível,
Com que não há verdadeiro entendimento.
Nada sabemos da alma
Senão da nossa;
As dos outros são olhares,
São gestos, são palavras,
Com a suposição
De qualquer semelhança no fundo.
Fernando PessoaDifícil é interpretar os silêncios!
É fácil caminhar lado a lado,
Difícil é saber como se encontrar!
É fácil beijar o rosto,
Difícil é chegar ao coração!
É fácil apertar as mãos,
Difícil é reter o calor!
É fácil sentir o amor,
Difícil é conter sua torrente!
Como é por dentro outra pessoa?
Quem é que o saberá sonhar?
A alma de outrem é outro universo
Com que não há comunicação possível,
Com que não há verdadeiro entendimento.
Nada sabemos da alma
Senão da nossa;
As dos outros são olhares,
São gestos, são palavras,
Com a suposição
De qualquer semelhança no fundo.
quinta-feira, 13 de junho de 2013
O amor, quando se revela,
não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
mas não lhe sabe falar.
Quem quer dizer o que sente
não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente.
Cala: parece esquecer.
Ah, mas se ela adivinhasse,
se pudesse ouvir o olhar,
e se um olhar lhe bastasse
pra saber que a estão a amar!
Mas quem sente muito, cala;
quem quer dizer quanto sente
fica sem alma nem fala,
fica só, inteiramente!
Mas se isto puder contar-lhe
o que não lhe ouso contar,
já não terei que falar-lhe
porque lhe estou a falar...
Fernando Pessoa
não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
mas não lhe sabe falar.
Quem quer dizer o que sente
não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente.
Cala: parece esquecer.
Ah, mas se ela adivinhasse,
se pudesse ouvir o olhar,
e se um olhar lhe bastasse
pra saber que a estão a amar!
Mas quem sente muito, cala;
quem quer dizer quanto sente
fica sem alma nem fala,
fica só, inteiramente!
Mas se isto puder contar-lhe
o que não lhe ouso contar,
já não terei que falar-lhe
porque lhe estou a falar...
Fernando Pessoa
![]() |
| Pintura de Leonid Afremov |
quarta-feira, 12 de junho de 2013
sexta-feira, 24 de maio de 2013
Aqui eu te amo.
Nos escuros pinheiros se desenlaça o vento.Fosforesce a lua sobre as águas errantes.
Andam dias iguais a perseguir-se.
Descinge-se a névoa em dançantes figuras
Uma gaivota de prata se desprende do ocaso.
As vezes uma vela. Altas, altas, estrelas.
Ou a cruz negra de um barco.
Só.
As vezes amanheço, e minha alma está húmida.
Soa, ressoa o mar distante.
Isto é um porto.
Aqui eu te amo.
Aqui eu te amo e em vão te oculta o horizonte.
Estou a amar-te ainda entre estas frias coisas.
As vezes vão meus beijos nesses barcos solenes,
que correm pelo mar rumo a onde não chegam.
Já me creio esquecido como estas velha âncoras.
São mais tristes os portos ao atracar da tarde.
Cansa-se minha vida inutilmente faminta..
Eu amo o que não tenho. E tu estás tão distante.
Meu tédio mede forças com os lentos crepúsculos.
Mas a noite enche e começa a cantar-me.
A lua faz girar sua arruela de sonho.
Olham-me com teus olhos as estrelas maiores.
E como eu te amo, os pinheiros no vento,
querem cantar o teu nome, com suas folhas de cobre.
Pablo Neruda
Créditos da Pintura: Reina Pinto
terça-feira, 14 de maio de 2013
quarta-feira, 10 de abril de 2013
segunda-feira, 8 de abril de 2013
"Hoje que tanto se fala em crise, quem não vê que, por toda a Europa, uma crise financeira está minando as nacionalidades? É disso que há-de vir a dissolução. Quando os meios faltarem e um dia se perderem as fortunas nacionais, o regime estabelecido cairá para deixar o campo livre ao novo mundo."
em «Citações e Pensamentos de Eça de Queirós»
em «Citações e Pensamentos de Eça de Queirós»
Parece tão actual, não é?
Quando será que os regimes políticos ouvirão este Grande Senhor e escritor?
domingo, 3 de março de 2013



"Lembrando traços surrealistas como o de René Magritte, o designer John Leung, do estúdio de arquitetura australiano ClarkeHopkinsClarke, desenvolveu um jogo de prateleiras que cria uma ilusão de óptica".
Fonte: http://revistapegn.globo.com/Revista/Common/0,,EMI216611-17180,00-DESIGNER+CRIA+ILUSAO+DE+OPTICA+COM+PRATELEIRAS.html
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
Sem ti
E de súbito desaba o silêncio.
É um silêncio sem ti,
sem álamos,
sem luas.
Só nas minhas mãos
ouço a música das tuas.
Eugénio de Andrade
https://www.facebook.com/ colin.stapleslifeart
E de súbito desaba o silêncio.
É um silêncio sem ti,
sem álamos,
sem luas.
Só nas minhas mãos
ouço a música das tuas.
Eugénio de Andrade
![]() |
| Colin Staples LifeArt |
https://www.facebook.com/
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Artist: Vincent van Gogh
Dutch Post-Impressionist Master, 1853-1890
Title: Harvest at La Crau, with Montmajour in the Background
Completion Date: 1888
Place of Creation: Arles-sur-tech, France
Style: Post-Impressionism
Genre: landscape
Technique: oil
Material: canvas
Gallery: Van Gogh Museum, Amsterdam, Netherlands
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
Boa noite compartilho um poema de uma poeta portuguesa e que adorei.
Me lembrou a personagem Benjamim do filme o Palhaço, naquela fase que tenta encontrar seu ventilador.
bj
"Há que ser palhaço"
Se acaso olhasses
O mar dos meus olhos
Esquecesses a cor
E a fantasia
Vias dor aos molhos
Tristeza tingida
Em tela perfeita
Notas de alegria
Em rima desfeita
Guitarra cansada
Sem som e magia
Triste sinfonia.
Irias saber...
Poetas das cores
De embargo na voz
Heróis á partida
Somos todos nós
Uns "enganadores"
Palhaços da vida.
Se acaso quisesse
Soubesse mostrar
No fundo de mim
A min'alma nua
Atrás do sorriso
E do meu cantar
Verias chorar
As pedras da rua.
Mas já que na vida
O momento passa
Há que ganhar cor
Travar a desgraça
Pegar em amor
Enfeitar com laços
E não nos queixemos
Sejamos Palhaços !
Dina Soares Oliveira
(Pintura de Marinho Neves)

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